Jardim de chuva, Mobilidade Social, Acesso a Cultura e Sociólogos (10/04/2024)


Na semana correspondente a aula, a cidade de Salvador foi bastante afetada pela chuva, diversos pontos alagados e muitos deslizamentos por toda a capital. A Universidade também sofreu as consequências desse temporal com falta de luz, o que acabou prejudicando parcialmente as aulas, pois não havia possibilidade de acesso ao computador para projetar o material de aula, as luzes estavam fracas e o ar condicionado não funcionava. Foi o caos em todo o departamento de Educação.  E durante boa parte da aula discutimos sobre esse justamente sobre o assunto da chuva. Pois infelizmente, as cidades brasileiras não estão preparadas para receber a chuva, qualquer gotinha que cai causa um imenso transtorno. Aproveitando a ocasião propícia, o professor nos mostrou um vídeo que mostra um projeto chamado Jardim de chuva realizado pelo Colégio Estadual Professora Marileine da Silva, na Mata Escura, em Salvador. Esse projeto foi implantado coletivamente nos anos de 2022 e 2023 e mobilizou os alunos que realizam atividades inerentes ao programa que estão integradas ao currículo escolar e toda a comunidade ao redor que também presta apoio ao Jardim de Chuva.


Projeto Jardim de Chuva no Colégio Professora Marileine da Silva.

A proposta do jardim de chuva é de evitar alagamentos urbanos, melhorar o condicionamento climático, ajudar a água a escorrer para o solo, além de melhorar o aspecto visual da cidade, trazendo mais verde para diversos locais. O jardim funciona da seguinte forma: tem o solo rebaixado e filtrante, captura a chuva acumulada na rua ou calçada, a água absorvida nutre as plantas e o lençol freático e os alagamentos diminuem. Uma solução excelente para amenizar os deslizamentos e que deveria ser implantada em vários outros pontos da cidade.

 Acredito que se a gestão pública olhasse para a proposta do jardim de chuva com mais atenção poderia implantá-lo por toda a cidade como medida para lidar com o impacto das mudanças climáticas, utilizando a água que cai nas caixas de água em edifícios e casas, pois a chuva não é vilã que tem como propósito causar destruição, a cidade que não foi planejada para recebê-la, mas ainda há tempo de mudar essa realidade.

Em seguida, discutimos sobre o acesso a cultura a cidadãos de diferentes classes sociais. Infelizmente, na nossa sociedade poucas pessoas tem acesso à cultura, apenas um grupo restrito que detém maior poder aquisitivo para usufruir dessas atividades. Quantas pessoas de baixa renda já foram ao teatro, por exemplo? Com certeza, pouquíssimas. Talvez alguma criança ou adolescente num passeio da escola, ou até mesmo um adulto que ganhou um ingresso em algum sorteio ou simplesmente fez um imenso para comprá-lo e precisou abrir mão de outra coisa que quisesse obter. Mas esses casos são raros, na grande maioria das vezes, pessoas dessa classe social não conseguem ter acesso a um lugar como esse, pois precisa escolher entre gastar o dinheiro que ganham para suprir suas necessidades básicas como alimentação, moradia e contas em geral ou ir ao teatro, cinema, museu e afins.

Infelizmente, a cultura é considerada algo supérfluo num país onde muitos não têm nem o básico para sobreviver, essa condição remete ao tema da mobilidade social. Segundo uma pesquisa realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um brasileiro pobre precisaria viver nove gerações para chegar à classe média. Isso no mostra o quanto o Brasil é um país desigual e é justamente essa desigualdade que dificulta a mobilidade social a fim de possibilitar que os indivíduos possam ascender socialmente.

 Também discutimos sobre como sociólogos como Althusser, Bordieu e Bordon pensavam a respeito da escola como instrumento para mobilidade social. Bourdieu era um pensador crítico do poder e questionava a neutralidade da escola e do conhecimento escolar, à medida que a ela cobra dos alunos posturas, crenças e valores dos grupos dominantes apresentando-os como cultura universal. Sendo assim, a escola contribui para a legitimação das desigualdades relacionando as diferenças acadêmicas e cognitivas aos méritos e dons individuais. Já Boudon acreditava que os indivíduos se diferenciam no sistema de estratificação social de acordo com sua posição social e seu nível escolar e que estes, atuam na distribuição dos indivíduos na hierarquia das posições sociais. E Althusser enxergava o Estado como um aparelho ideológico capaz de divulgar a ideologia dominante e que as pessoas eram robôs que absorviam tal ideologia. Ele era a favor da extinção das classes sociais e da revolução comunista.

Finalizamos a aula com um passeio inusitado pelo campus da Universidade, onde conhecemos um pouco mais a nossa Instituição e os prédios de pós-graduação, conversamos também sobre as comunidades que cercam a UNEB e sobre como a violência no bairro tem afetado nossos estudos.

Foi uma aula excelente, como nunca tive na Universidade, pois infelizmente nem todos os professores conseguem inovar e propor alguma atividade diferente. Neste dia, ao mesmo tempo em que aprendi sobre novos conceitos, também me diverti e interagi com os colegas e com o próprio professor. Momentos como esses são importantes para criar pontes entre as pessoas e estreitar laços através da educação.


Passeio pelo campus da Universidade.



Beijos e até a próxima!!!
 


 


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