Greve, Espaço Escolar, Bordieu e Durkheim (17/04/2024) 

Neste dia a aula começou com um tema inusitado: a greve. Como um dia após a aula a Universidade não funcionaria em virtude de uma paralisação, era inevitável não tocar nesse assunto. Além disso, diversas Universidades e Institutos Federais estão em greve por todo o Brasil em prol do reajuste salarial de professores e melhores condições de trabalho. Quando um setor trabalhista decide fazer greve existe a intenção de reivindicar melhorias no salário, direitos como férias e hora de descanso. Mas se pararmos para pensar será que fazer greve de fato adianta? Há quem ela beneficia? O Estado não é necessariamente afetado pela greve, tendo em vista que se o servidor público não produzir, ele quem perderá, mas se o Estado não lucra também não perde. Logo, é indiferente haver ou não paralisação temporária das atividades do trabalhador. Entretanto, o Estado só sente-se realmente ameaçado quando a mídia é acionada, pois a opinião pública ainda produz muito impacto na sociedade.



Posteriormente, o professor nos apresentou um mapa conceitual sobre pensadores como Marx, Althusser, Durkheim, Bordieu e Weber e os pensaments que eles compartilham entre si. Por exemplo, Marx e Althusser tem o mesmo ponto de vista sobre as classes sociais e criticam o status quo. Já Durkheim e Bordieu enxergam a sociedade enquanto um sistema classificatório. E por falar em Bordieu, já que na aula passada discutimos muito ele, retomamos o assunto, desta vez abordando a perspectiva de Pierre Bordieu em relação à escola.

Para Bordieu, a escola não é um espaço democrático, pois o ensino não é transmitido da mesma forma para todos os alunos. Segundo ele, alunos que pertencem a classes sociais mais abastadas trazem no berço uma herança a qual ele denomina de capital cultural que coloca a cultura como uma moeda de troca que divide a sociedade em classes e que as classes dominantes utilizam para propagar as diferenças entre as classes dominadas.




Penso que Bordieu tem toda razão, um exemplo bem notório desse pensamento pode ser confirmado em situações comuns do nosso cotidiano. Quando um aluno de família pobre consegue uma bolsa para estudar num colégio de classe alta, embora ele compartilhe do mesmo ensino que os alunos de família rica, esse aluno não tem acesso a determinados livros, lugares e informações que estão mais disponíveis aos estudantes ricos, ou seja, ele não domina os códigos culturais que uma escola dessa categoria costuma valorizar. Sendo assim, tende a favorecer apenas a elite e não cria oportunidades que promovam a mobilidade social aos alunos de origem humilde.

Depois desse debate o professor realizou uma dinâmica em sala, onde dividiu a turma em três grupos cada um ficaria responsável pela leitura de um capítulo do livro “Pedagogia diferenciada: das intenções à ação” e responder a pergunta “Como os professores podem aumentar ou minimizar a distancia cultural entre a escola e os alunos em relação a: Estética, Relação com o saber e Norma?”

O grupo ao qual eu pertenço ficou responsável por responder a pergunta sob a ótica da relação com o saber, que diz respeito a como o professor lida com as diferentes formas de aprender de seus alunos. Pois cada estudante tem seu modo particular de absorver determinados assuntos e estes saberes não devem ser invalidados, mas é necessário compreender o tempo que cada um tem para assimilar o conteúdo e lançar mão de ferramentas lúdicas que favoreçam o aprendizado.

Considero que esta dinâmica enriqueceu-me muito enquanto estudante e futura pedagoga, mas também enquanto pessoa. A troca de ideias e compartilhamento de diferentes visões entre os três grupos sobre o mesmo assunto nos favorece muito na medida em que aprendemos escutando o que o outro tem a dizer, ainda que seja o oposto da forma que pensamos. É preciso aprender a conviver com o diferente, respeitar os limites, acolher as limitações de cada um. E nós, como futuros educadores precisamos por em prática esses aprendizados.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog